De repente, a gente se vê aqui com casaco, cachecol, botas e luvas. A cada dia, o sol se põe mais cedo. O vento é frio. Temos dois, três dias consecutivos de chuva. Meu vizinho já não passa mais o dia todo sentado na sacada, à porta de entrada do nosso apê.
É o fim do verão no Canadá. Mas outro forte indício de que minha estação preferida se foi definitivamente está nas árvores. As folhas, antes tão verdinhas, passam a explodir em cores que enchem os olhos até dos mais nostálgicos como eu.
Amarelas, vermelhas, alaranjadas... lindas, lindas, lindas! Da noite para o dia, as folhas de érable (representadas na bandeira do Canadá) ganham cores deslumbrantes antes de se desprenderem dos galhos para cobrir - e colorir - calçadas, ruas, carros, quintais.
É tudo tão efêmero. Quase dá para pensar que alguém, um grande pintor que ninguém nunca viu, passou a noite dando uma pincelada aqui e outra ali para ver o resultado no dia seguinte. Num dia de sol, de preferência, quando o contraste é ainda mais forte.
Mas logo a obra de arte se desfaz.
Cientistas da América do Norte discordam sobre as razões que explicariam essa mudança de cor repentina. Biólogos e fisiologistas da Universidade de Oxford afirmam que o brilho colorido das folhas contém uma mensagem: "Insetos, deixem-me sozinha! Sou uma árvore letal para suas crias". Dessa forma, a árvore estaria se protegendo do depósito de larvas no seu tronco, cujo resultado poderia ser devastador para ela na primavera. É que essas mesmas larvas podem sugar os nutrientes da planta. E talvez, também, seu suposto veneno.
Contudo, pesquisadores da Universidade de Wisconsin preferem a teoria de que as folhas do outono não são nada mais, nada menos do que um protetor solar natural. O colorido das folhas não passaria de uma prova concreta de que as árvores estão fazendo uma intensa reserva de nutrientes para enfrentar o inverno rigoroso. Enquanto a clorofila se desmantela, nitrogênio e fósforo vão para a despensa.
Outros estudiosos resumem o fenômeno meio que chamando as érables de um bando de mascaradas. A clorofila, que dá o tom verde aos vegetais e faz um excelente trabalho na captura da luz solar - mais intensa na primavera e no verão -, estaria escondendo, durante essas estações mais quentes, os outros pigmentos presentes nas folhas. Com a chegada do outono, as árvores quebram sua clorofila e, voilà, a aquarela surge na paisagem.
Enfim, todo mundo concorda em uma coisa: não é por nada que o outono no Canadá é tão bonito.
Minha humilde teoria é a de que a Mãe Natureza sempre resolve nos presentear nessa época do ano, antes que um desolador manto branco cubra tudo e se mantenha assim pelos próximos 5 meses, mais ou menos. Até que a gente volte a se animar em olhar para as árvores de novo e perceber que as primeiras folhinhas verdes começam a despontar. Outro ciclo, então, recomeça.
Amei!
ResponderExcluirTanto a foto quanto o texto, afinal é uma aula de poesia e Biologia. Com certeza tua profe Diana iria adorar! De saber que suas aulas não foram em vão...hehehehehe. Beijão, te amo.
Pior... soh faltou falar da famosa fotossintese. Mas as informações são baseadas em estudos. Meus conhecimentos de biologia se limitam a distinguir um gato de um cachorro, por exemplo. Hehehehe...
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