Hoje pela manha, conheci meu médico de família. Aqui, é assim que funciona. Pra consultar um especialista, sempre é preciso antes passar por um médico-geral que vai te encaminhar ao profissional específico pro teu problema. É burocrático e longo como procedimento. Mas tendo um médico de família, o teu médico, as coisas ficam um pouco menos complicadas.
O problema é que é mais fácil achar uma calçada sem gelo durante o inverno daqui do que o tal médico que vai conhecer todo teu histórico de saúde. Prova disso é que 2 milhoes de québécois, ou seja, praticamente um quarto da populaçao da província, nao têm médico de família. E algumas pessoas só conseguem um depois de 10, 20, 30 anos!
Eu sou sortuda. Moro no Canadá desde 2007 e já tenho o MEU MÉDICO, que cuida de toda família do meu marido, há aaaaanos, e aceitou me "adotar". Talvez porque o Jeff, quando fez o pedido pessoalmente, tenha dito que eu nunca ficava doente. Mas agora eu tô. Há mais de 3 semanas. Affff... Talvez sejam meus 30 anos que, enfim, realmente estao pesando. Algo me dizia que a trintena poderia ser o início da minha decadência. Hehehehe...
Sério mesmo, tô parecendo uma velha, andando com um saco cheio de remédios (já sao 7 tipos até agora) pra cima e pra baixo. Nao tem semana em que eu nao passe na farmácia pra bater um papo com o(a) farmacêutico(a). Virou programa até de sexta-feira à noite, como foi o caso na semana passada. Ninguém merece!
E aqui também existe toooodooo um esquema pra comprar medicamento. Primeiro, tu chegas no guichê onde tu vais fazer a encomenda, apresentando, claro, a prescriçao médica. O(a) atendente vai te pedir a carta de assurance maladie (seguro-saúde), que prova que tu moras aqui no Québec e que podes usufruir do sistema de saúde provincial. Se quebro o mindinho em Ontário, uma das províncias vizinhas, já nao sei como é que funciona.
Bem, daí tu vais ter que responder inevitavelmente a seguinte pergunta: é alérgica a algum medicamento? O ponto é que meu problema é justamente ela, a alergia. Entao, eu sinceramente já nao sei mais o que responder. Passada a primeira etapa, é só aguardar. Isso pode levar uns 30 minutos ou até uma hora! As cadeiras dispostas a um canto do balcao nao estao lá por nada.
Depois de ler todos os folhetos explicativos sobre as doenças mais comuns e as mais bizarras - eles folhetos estao sempre ao alcance da mao -, chamam o teu nome. Hora de se dirigir ao segundo guichê, o caixa. Tu pagas a conta que pode ser bem salgada. Bom que sempre há o seguro que cobre uma parte da fatura. Ele é oferecido pelo governo no qual tu deves estar obrigatoriamente inscrito, caso teu trabalho ou o empregador do teu marido ou da tua mulher já nao te contemplem com essa vantagem. As universidades também têm planos de saúde.
Aberta a carteira, resta a fase final: receber o conselho do(a) farmacêutico(a). No terceiro guichê, sem sigilo de confessionário, ele ou ela vai te explicar como ingerir o remédio, vai te perguntar novamente se tu és alérgico e vai te fazer entender como é importante cumprir à risca o tratamento indicado. A conversa dura o tempo que for necessário. Isso vale até pra pílula anticoncepcional.
Pronto! Tu podes voltar pra casa, com teu remédio numa embalagem de plástico, pequeninha, com um papelzinho contendo teu nome, o do remédio e o do médico, além, claro, da posologia. Nunca haverá no recipiente mais do que o necessário para o tratamento prescrito. A prescriçao, inclusive, fica na drogaria que conserva teu dossiê farmacológico eletronicamente. Por isso, é importante tentar ir sempre às farmácias de uma mesma rede.
E ainda assim tem gente que consegue vender remédio ilegalmente no mercado negro. Vai entender...
P.S. - Só pra constar: gostei muito do meu médico de família, um senhor bem simpático. Espero que ele pratique medicina por bastante tempo. Pena que ele ainda nao sabe qual é a causa da minha alergia misteriosa. Talvez, com sorte, eu descubra a partir de 23 de novembro, quando vou ver um especialista. Achei que era tempo demais pra esperar até essa consulta. Mas hoje descobri que sou sortuda meeesmo. Normalmente, o tempo de espera é de dois anos. O jeito é praticar exercícios físicos e comer de forma saudável. Nao dá pra ficar doente no Québec.
Amiga, nao dah pra ficar doente no Québe e em lugar nenhum... Veja soh tudo o que minha mae esta passando agora... Mas fico feliz por saber que o principal motivo dos seus sintomas vai desaparecer em breve! ;) uhuuuuu
ResponderExcluirBjo, uma otima semana procê!