sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Força na peruca!

Tenta te lembrar daquele dia em que tu estavas pra baixo, com a auto-confiança no dedão do pé, te sentindo a criatura mais miserável do planeta. Daí, tu falaste com alguém que soube realmente te ouvir (e esse alguém não era tua mãe, nem teu melhor amigo).

Essa pessoa te entendeu e te encorajou. E, com as palavras exatas, chegou no teu coração e ainda por cima fez com que os problemas aparentemente mais angustiantes do momento se tornassem pequenininhos, quase insignificantes, quase uns "ex-problemas".

E tu foste embora leve, pronto a retomar o plano de conquistar o mundo. O teu mundo!

Tu te lembraste de uma situação assim? Claro que sim... E se lembraste é porque momentos como esse são preciosos. E, infelizmente, não menos raros.

Pois nesta semana passei por uma situação dessas, na universidade. As terças-feiras são sempre complicadas para mim. Já acordo cansada, porque as segundas-feiras são igualmente difíceis. Pagar os pecados, quer dizer, trabalhar em tempo integral e estudar em língua estrangeira é realmente exaustivo.

Nos dois primeiros dias da semana, sempre saio de casa às 8h para só voltar ao lar, doce lar pelas 23h, virada na capinha do Batman (eu realmente amo essa expressão, Manu!).

Na terça-feira, eu tava especialmente atucanada. Receberia de volta meu primeiro trabalho do curso de Dificuldades do francês escrito - e põe difícil nisso escrever bem em francês... Tava com medo de ter um resultado decepcionante e, quem sabe, me ver obrigada a abandonar o curso e o programa de tradução da Universidade de Montréal.

Mas eu fui bem no trabalho. Muito bem até, eu diria. Só que eu ainda tinha dúvidas e precisava tomar coragem para ir falar com o professor. Que vergonha! Eu adiei por semanas esse momento.

No Canadá, sou uma aluna completamente diferente do que fui no Brasil. Não solto um pio em sala de aula, onde costumo ser a única não-francófona. Como poderia me fazer entender com meu sotaque - que deve ser lamentável - para um doutor-linguista?

Tinha que contornar isso. Respirei fundo e o fiz. Quando todos meus colegas já tinham ido embora, claro. Acho que meu professor até se surpreendeu de me ver lá, diante dele. "O que será que esse ET com sobrenome estranho tem pra falar comigo?", ele deve ter pensado.

Bem, pra resumir a ópera, obtive as respostas às minhas questões. Quando tava ajeitando tudo na mochila para, enfim, voltar pra casa, ele me perguntou se tava tudo bem comigo. Quase desatei no choro. Juro. Falei sobre o quanto eu andava desencorajada e em dúvida sobre minha decisão de ser tradutora.

Mas com que entusiasmo e firmeza ele me disse que eu deveria continuar! "Abandonner? Jamais. Força na peruca!" Obviamente que essa última frase ele não falou. Mas a mensagem foi mais ou menos essa. Hehehehe...

Pronto, a última pessoa que eu queria ver até então, a cada semana, tinha se mostrado de uma sensibilidade incrível. Quer dizer, ele era a segunda pessoa que eu menos queria ver. Da primeira prefiro não falar agora, porque essa não vale nem a sardinha que come.

Esse cara usou as palavras certas. Um verdadeiro professor...

P.S. - É assim que deixo aqui meu muito obrigado a todos os professores, inclusive os carrascos, com quem tive o privilégio de aprender. Não só sobre teoria, mas também sobre perseverança. Parabéns pelo Dia do Professor! E parabéns pra ti também, mãe, minha eterna mestra.

3 comentários:

  1. Adorei seu auto-depoimento amiga!!
    Sincero!
    Mas é isso ai, "força na peruca", se soubéssemos antes que estávamos vindo pra guerra, teríamos trazido água e fogo, mas não sabíamos, então, o jeito agora é lutar com aquilo que temos de melhor em nós..., e sei que não são poucas!!!
    Bye!!
    Ps. Te devo uma visita!

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  2. Querida, adorei!
    Confesso que chorei, não sei se de alegria, de alívio, de gratidão...mil coisas... que bom que tiveste coragem, mais uma vez, pois sei o quanto és batalhadora e o quanto te esforças. ó posso dizer que sinto muito orgulho de ti, filha! Sugiro que mostres ao teu professor, acho que ele merece ler isto. Um beijo amoroso, mamis

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  3. Ai Tai, que lindo este post, juro que me emocionei!
    Sim, tô aqui colocando em dia minha leitura dos seus inspiradores textos! =) Alias, eu nao sabia que o blog tinha mudado de nome, fiquei fuçando igual uma louca na internet e sei la como, vim parar aqui! Que bom! Made my day.
    Continue escrevendo, amiga.
    PS: Adorei o "ela nao merece nem a sardinha que come" hahahahahahah Nenhuuuuuuma vontade de mudarrrr!!! Seus dias estao contadosssss!!!! =D

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